Os produtos da floresta
O conteúdo abaixo é baseado em crenças e no folclore regional da Amazônia, de autoria da Editora Horizonte Ltda.
O perfume da priprioca está em quase todos os banhos-de-cheiro do Pará
Seu uso está tão difundido que o tubérculo da planta ralado é encontrado para venda em saches em qualquer banca ou loja de produtos naturais de Belém. Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi, da Embrapa e de três universidades da região desenvolvem pesquisas sobre a planta, considerada o "cheiro do Pará" com sua fragrância levemente amadeirada e picante. A priprioca é cultivada em escala comercial há mais de 30 anos no estado. Em nenhuma outra região da Amazônia seu uso é tão popular e é possível comprá-la com tanta facilidade.
Foto Silvestre Silva
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O urucum, usado como tintura pelos indígenas, é também aproveitado na culinária e como medicamento na Amazônia
As mesmas sementes da Bixa orelana, que são a base das pinturas vermelhas usadas pelos índios para adorno corpóreo e proteção contra os raios solares, são trituradas E aproveitadas na culinária cotidiana das cidades e vilarejos da Amazônia, principalmente como uma espécie de coloral para os pratos. Das folhas do urucum são extraídas substâncias com propriedades farmacológicas para o tratamento de problemas de estômago, intestino e como antiinflamatórios para contusões e feridas.
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Foto J L Bulcão/Tyba
Os frutos da palmeira pupunha são um popular petisco em Belém
Em qualquer esquina da capital paraense é possível comprar porções da iguaria cozidas na água com sal. Os pequenos frutos dessa palmeira, arredondados e de coloração que varia do amarelo ao vermelho, têm sabor agradável e suave, bastante semelhante ao do milho verde. Dessa árvore também é extraído um tipo de palmito, já bastante difundido por todo o país.
Foto Ricardo Azoury/Tyba
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O banho-de-cheiro nasceu da mistura de uma tradição portuguesa do século 14 com ingredientes utilizados por índios
Sem ter o hábito, como os índios, de se banharem completamente nos cursos d'água, os colonizadores portugueses na Amazônia preferiram preparar misturas com ervas aromáticas locais para esfregar sobre o corpo. Foi a maneira encontrada pela população ribeirinha de manter a tradição, que hoje é realizada como forma de refrescar-se após os banhos diários. Nos mercados da cidade, como o Ver-o-Peso, é possível encontrar frascos de banhos-de-cheiro com inúmeras fragrâncias, sendo as preparadas com priprioca e a raiz do patchuli as mais difundidas.
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Foto J.L. Bulcão/Tyba
Drogas do sertão" é uma expressão da época dos bandeirantes usada para se referir a especiarias na foz do rio Amazonas
Esses produtos eram nativos do Brasil e não existiam na Europa. Faziam parte da lista, ervas, raízes e sementes com valor medicinal, aromático e cosmético como canela, castanha, cravo, guaraná, pimenta, urucum, baunilha etc. Além dos portugueses, ingleses, holandeses e franceses possuíam interesse em adquiri-los. Havia um intenso contrabando na época. Tanto que os jesuítas estabeleceram missões ao longo do rio Amazonas para coletar essas drogas, utilizando mão-de-obra indígena. As cidades de Manaus (AM) e Belém (PA) surgiram a partir de fortificações construídas pelos portugueses para garantir a exploração.
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Foto Delfim Martins/Pulsar
As sementes da palmeira jarina são chamadas de marfim vegetal por sua semelhança com o marfim das presas do elefante
A jarina é uma palmeira típica do sudoeste do Amazonas e atinge até 5 metros de altura. Suas sementes brancas e opacas são tão duras que passaram a ser utilizadas na fabricação de peças de joalheria, botões para roupas e até teclas de piano. Elas são mais resistentes que o marfim verdadeiro (as presas de elefantes), característica que facilita seu manuseio. E tão parecidas que os artesãos em geral deixam um pouco da casca marrom nos seus produtos para provar que não usaram marfim animal - proibido em todo o mundo. Os frutos secos da jarina também são tradicionalmente utilizados pela população local para lubrificar o interior de panelas de barro, evitando que o alimento grude na superfície durante o cozimento.
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Foto Silvestre Silva
O tradicional banho-de-cheiro da Amazônia nasceu dos costumes ligados à festa de São João
Tradicionalmente o banho de cheiro é preparado nas noites de São João. Na hora da cerimônia, joga-se água limpa por todo o corpo e a mistura com trevos, ervas, cipós e raízes, preparada dias antes, é esfregada na pele. Acredita-se que o banho atraia sorte, saúde e felicidade. Devido a seus efeitos terapêuticos, o banho-de-cheiro virou uma mania diária. Antigamente, as ervas eram fervidas, raladas, esmagadas até formar um líquido esverdeado com perfume de mata virgem. Hoje em dia, com a industrialização dos produtos, o "cheiro-cheiroso" do Pará, é vendido na forma de sabonetes, xampus, colônias, óleos essenciais e banhos.
Foto Silvestre Silva
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Oitenta por cento das árvores encontradas na Amazônia são endêmicas, ou seja, só ocorrem lá. Muitas dessas espécies oferecem produtos que, mesmo antes da chegada dos colonizadores, já eram consumidos e utilizados pelos habitantes da região e, há poucas décadas, começaram a estar presentes no cotidiano dos moradores do resto do país. Entre esses produtos estão:
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Foto Zig Koch
O mercado do Ver-o-Peso, em Belém (Pará), apresenta a maior amostra de produtos da biodiversidade amazônica de toda a América Latina.
Mistura de mercado de peixe, feira livre e ponto turístico, a doca do Ver-o-Peso é o local onde os moradores da cidade encontram ervas medicinais, plantas ornamentais, frutas, perfumes e cosméticos originados dos mais diferentes e distantes recantos da floresta. Ele tem esse nome porque desde os tempos coloniais a população ia àquele local para “ver o peso” das mercadorias trazidas da Amazônia pelo rio.
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Foto Marcello Lourenço/ Tyba
Castanha-do-Pará: (também chamada castanha-do-Brasil): principal fonte de renda de diversas comunidades amazônicas, essa fruta é conhecida internacionalmente por seu valor nutritivo. As sementes são consumidas in natura, torrada, ou na forma de farinhas, doces e sorvetes. Da castanha se retira o óleo comestível e componente importante da indústria de cosméticos, como cremes, xampus e sabonetes, por suas propriedades hidratantes.
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Foto Leonide Príncipe
Guaraná: outra especiaria amazônica que ganhou o mundo é o guaraná. A planta, em forma de arbusto com propriedades fitoterápicas estimulantes, é usada há muito tempo pelos índios saterê-mawé. Sua fruta possui uma casca vermelha e, quando madura, deixa aparecer a polpa branca, e suas sementes se parecem com olhos. Devido a suas propriedades estimulantes, o guaraná é usado na fabricação de xaropes, barras, pós e refrigerantes. Em produtos para o corpo, o extrato de guaraná é usado por suas propriedades adstringentes e tonificantes.
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Foto Delfim Martins/ Pulsar Imagens
Andiroba: Das suas sementes, se extrai um óleo amarelo-claro, usado por suas propriedades anti-sépticas, antiinflamatórias e cicatrizantes, em caso de pancadas, hematomas e inchaços. Serve também de remédio para dor de garganta e infecções. O bagaço do fruto, quando queimado, libera uma fumaça utilizada como repelente de mosquito. Como matéria-prima de xampus, condicionadores, sabonetes e cremes corporais, o óleo de andiroba amacia e regenera a pele e o cabelo.
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Foto J.L. Bulcão / Tyba
Cupuaçu:: Originário da Amazônia brasileira, o cupuaçu (o nome significa fruta grande em tupi) é uma árvore que pertence à mesma família do cacau e pode chegar até 20 metros de altura. A polpa cremosa é conhecida das populações indígenas há bastante tempo, servindo de alimento e de remédio, ao aliviar a dor das queimaduras. Cremes e sabonetes feitos a partir da fruta têm propriedades hidratantes e capacidade de absorver os raios ultravioleta, funcionando como um excelente antídoto contra o ressecamento e o envelhecimento da pele.
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Foto Janduari Simes/Folha Imagem
Açaí: Muito popular na Amazônia e em todo o Nordeste, a frutinha arroxeada aparece em lendas indígenas de origem tupi. Seu extrato é um esfoliante natural para ser usado na remoção de células mortas da pele. Por possuir propriedades anti-oxidantes, ajuda na circulação sanguínea e retarda o aparecimento de sinais de envelhecimento. Da sua polpa, altamente nutritiva e energética, são criados sabonetes, cremes, loções revitalizantes e muito mais. Rico em proteínas, minerais e vitamina E, na forma de xampus e condicionadores, nutrem o cabelo e recuperam o brilho.
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Foto Silvestre Silva
Muru-muru:: O muru-muru é a semente de uma palmeira oleaginosa encontrada ao longo de rios e áreas inundadas, comum nas áreas baixas da floresta amazônica. Rica em ácido oléico e altamente nutritiva e hidratante, a manteiga de muru-muru é extraída da semente pela população ribeirinha para a produção de cremes e sabonetes. Como é um excelente emoliente, forma uma película protetora que ajuda a reter a umidade e elasticidade da pele.
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Foto Claus Meyer / Tyba
Maracujá: Originário das florestas da América Tropical, o maracujá possui mais de 150 espécies nativas no Brasil (o nome vem de "alimento preparado em cuia" na língua tupi). Devido a suas propriedades terapêuticas, tem valor medicinal, as folhas e o suco contêm um sedativo natural e o chá preparado com as folhas tem efeito diurético. As sementes produzem um óleo rico em ácidos graxos que auxiliam no controle da oleosidade e na maciez da pele, além de funcionar como um filtro protetor e de fragrância agradável.
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Foto StockFood | Latin Stock
Orquídeas: Não existe floresta brasileira que não tenha orquídeas: da Amazônia à Mata Atlântica é possível encontrar algumas das mais de três mil espécies nativas, sem contar as híbridas. Essas plantas, na maioria epífitas, crescem em árvores, usadas como apoio na busca de luz. São lindas e possuem uma fragrância muito apreciada. O óleo extraído da flor é empregado na indústria cosmética para preparar cremes e sabonetes que suavizam e hidratam a pele.
Fonte: Editora Horizonte